No Ensino Médio, na ETEPAM, eu resolvi estudar Design de Produtos porque eu tinha que escolher uma profissão. Mas nesse período eu não aprendi nada de útil sobre qualquer coisa da área. O curso só teve a utilidade de ser usado como propaganda para a reeleição da diretora, com o argumento que seríamos contratados para trabalhar no Porto de Suape, a grande promessa política da época, em todas as esferas. O compromisso não se cumpriu e, tempos depois, a gestora sumiu sob o boato de ter sido acusada de corrupção.

Nesse período, eu achava mais divertido ir para o curso de Química, área com a qual eu não tinha qualquer interesse, mas frequentava algumas aulas apenas para ficar próxima das minhas amigas, pois desde sempre eu prefiro estar em ambientes em que eu me sinta acolhida, sem me importar com o impacto que tais decisões possam causar no meu futuro. Além da não afinidade, o curso de Química representava nenhum aperfeiçoamento profissional para mim, sequer eu receberia uma declaração como ouvinte.

Porém, ao contrário das aulas teóricas pouco produtivas, ministradas pelos professores nas salas de aula, o laboratório era o espaço de inesperados insights a partir de experiências em torno das reações químicas. Lá, a vida era colocada num recipiente e demonstrada na prática. Com isso, dentro do galpão abandonado por falta de manutenção, eu aprendi algumas noções básicas sobre autoproteção – e também dos colegas – quando interagindo com técnicas de manipulação, amplamente usadas pelo conhecimento científico para provar uma verdade.

Uma das instruções básicas era saber manusear o tubo de ensaio, outros utensílios e demais ferramentas de forma segura, sem que nos atingisse. Assim como aplicar os reagentes conforme as reações previamente calculadas e anunciadas pelo professor. Manuseávamos produtos ora inofensivos, ora perigosos. Às vezes, as explicações e instruções vinham sob a máscara do medo: sobre como a acidez do líquido transparente como a água é capaz de corroer peles e ossos. Ou sobre como o hidrogênio pode nos asfixiar de forma imperceptível, justamente pela invisível e inodoro calmaria de seu estado gasoso, ou até mesmo congelar nossas partes com frieza fugaz, quando em adição e em estado líquido – o criogênico.

Mas eu estava nos anos finais do Ensino Médio e sem qualquer perspectiva de trabalho, e não levei muita coisa desse aprendizado na área de Química para a vida. Até hoje não me lembro se finalizei o curso de Design de Produtos, pois nem interesse, nem memória, nem diploma me restaram dessa época. E apesar das divertidas e, por vezes, tensas aulas práticas no galpão abandonado do laboratório de química, eu também não aprendi muita coisa sobre técnicas de manipulação, postas em prática pelo experiente professor e pela hábil diretora.

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